Porque às vezes somos seres insensíveis, que conseguimos odiar sem uma justificação realmente boa!

15
Jan 13

As minhas marcas, a partir de agora, sou eu que escolho. A minha primeira tatuagem fez oito anos no mês passado. Lembro-me como se fosse hoje, o batimento cardíaco acelerado e as mãos transpiradas de excitação ao sentir a agulha pela primeira vez arasgar a minha pele.

Carregamos cicatrizes pela vida fora. Alguém que descarregou as suas frustrações em cima de nós, alguém que foi embora quando mais precisávamos, um ex-namorado que despedaçou o nosso coração, uma amizade que terminou sem motivos, alguém que a vida (ou a morte) levou mais depressa do que gostaríamos.

Quando olho para dentro, vejo crateras profundas, feridas que sangram até se transformarem em cicatrizes, muitas vezes, visíveis ao olhar nu dos outros. É la que está a dor. Dor estampada, bordada a linhas de cores fluorescentes e não me foi dada a escolher a cor que queria, a forma ou a textura da marca. Não houve opção de escolha no desenho, nem do profissional que a iria eternizar. Mas querendo ou não, elas estão ali, sem possibilidade de as esconder com roupa ou maquilhagem. São as minhas marcas, as minhas cicatrizes, as minhas vivências, a minha dor ou as minhas alegrias.

E lá vem alguém dizer, mais uma vez, “Não te vais arrepender de tatuar isso?”. A resposta é simples. Se me arrepender, aprenderei a conviver com a minha escolha, como aprendi a viver com as outras, aquelas que não escolhi. Porque, pelo menos, estas eu pude escolher.

Sempre fui contra a ideia de aceitar as imposições da vida. Fui uma criança difícil, uma adolescente rebelde e, agora, uma adulta livre, que escolhe o seu caminho, torto, por atalhos ou curvas. Não tenho medo de me perder para me encontrar. Mas para ilustrar o livro das minhas viagens, levo as minhas marcas tatuadas, por dentro e por fora. Convivo com as escondidas e escolho as visíveis. Porque independentemente do que carrego, a vida corre debaixo dos meus pés.

 

 

P.S. - este texto tambem pode ser aqui!!

publicado por hate_life às 23:36
Som: Asaf Avidan - Reckoning Song (One Day)

26
Abr 12

 

Definitivamente existem coisas difíceis de perceber. Esta é uma delas. Parece que a palavra amor anda a ser demasiado utilizada. Amo algodão doce. Amo aquela musica dos Nirvana. Amo cor-de-rosa. Amo a minha melhor amiga, amo o meu amigo e amo o amigo do meu amigo. Onde anda o amor puro, o amor cego, o amor desprovido de interesse, o amor doente, o amor verdadeiro? Já não existe paixão pura, saudade avassaladora, dor, tristeza, felicidade desmedida e sorrisos rasgados?

Parece-me que o amor já não é amor e que já ninguém está disponível para se apaixonar perdidamente. Hoje em dia as pessoas apaixonam-se por conveniência, porque é prático, porque é giro ou simplesmente porque não gostam de estar sozinhas. E quando se apaixonam, não se entregam de corpo e alma com medo do desconhecido, de sofrer ou de se magoar. Criam uma carapaça fictícia de onde não pretendem sair, a sua zona de conforto. Mas o que não percebem é que verdadeiro amor, o amor puro, é que traz esse conforto tão desejado.

O coração fica quente com poucas palavras e arrefece ainda mais facilmente. À primeira adversidade desistem. Não lutam, conformam-se. Não casam, assinam contratos. E assim que vem a primeira tempestade, saltam fora do barco.

Da mesma forma, fácil, com que desistem também se apaixonam. Um sorriso bonito. Um olhar voluptuoso. Um decote atrevido. Meia dúzia de palavras trocadas. Dois ou três encontros e lá vem a confissão, “acho que estou apaixonado. Amo-te”. Repetem-se. Usam essas cinco letras mágicas até à exaustão. Desgastam a palavra, tiram-lhe significado. Ou pelo contrário, dão demasiada importância a coisas que, na verdade, não o têm.

De que serve ouvir alguém dizer que nos ama, quando na realidade não conseguimos sentir esse amor? Se olhamos à nossa volta e ele não está presente nos atos, nem nos olhos de quem o diz.

 Mas o maior problema não é o facto das pessoas não se mostrarem disponíveis para o amor cego, o problema é julgarem que esse amor cego é aquele amor morno que sentem. O amor verdadeiro não é um princípio, não é um meio, não é um fim e não é um destino. O amor cego é uma condição. O amor não pode ser percebido, é um estado de quem o sente. Amor é amor. É essa a beleza, é esse o perigo.

A vida é uma coisa, o amor é outra. O amor é mais bonito que a vida. A vida às vezes pode matar o amor. O amor é a nossa alma. A nossa alma a desatar a correr atras do que não sabe, do que não compreende. O amor é uma verdade.

A derradeira verdade é que o amor não é para perceber. Aliás, o sinonimo de amor verdadeiro é não se perceber, querer e não ter esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho mas acompanhado. Não conseguir resistir, não ceder. A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a vida inteira, o amor não. Mas um simples momento de amor pode durar uma vida inteira.

publicado por hate_life às 00:49
sinto-me:
Som: Phoenix - Everything Is Everything

29
Mar 12

Todas as mudanças fizeram com que me afastasse dos pensamentos do passado. Não que fossem maus, mas simplesmente porque são do passado. As mudanças, que sempre detestei, mostraram-me que afinal não é assim tão mau mudar.

O sorriso voltou a ser rasgado e o brilho nos olhos voltou a ser luminoso. Gosto da descontracção que redescobri em mim e dos momentos simples que agora sei aproveitar. 

Aprendi que o saudosismo não trás de volta os bons momentos, nem o arrependimento apaga os maus. Aprendi que gosto da simplicidade da minha existência. Descobri que a fantasia não leva a lugar algum e que o gosto da realidade é sempre melhor.

Agora sei que os erros do passado ficaram lá, onde devem ficar, no passado.


22
Jul 11

Não sei porque é que ainda fico triste, ou me preocupo, ou simplesmente tento ser simpática e bem educada para quem não faz o mínimo esforço para ser cordial e delicado no trato.

Falta de chá, não tem outro nome.

Apetece pegar no Sonasol Verde e lavar a boca (e a alma) a esses Seres minúsculos que tentam infectar a vida dos outros com azedume e podridão. Já não tenho paciência, nem idade para ligar a pessoas mesquinhas, mas sou burra (ou só otária) para ainda me preocupar.

publicado por hate_life às 00:33
Som: Beck - Loser

21
Mai 11

 

Não queria que as coisas fossem assim.

Quantas mais vezes preciso de te dizer? Eu sei que errei, que não fui correcta, que não te dei o tempo necessário, mas o meu medo de te perder era tanto que a minha alma estremecia!

E todo esse medo, de repente, transformou-se numa avassaladora realidade. Tão avassaladora que me levou ao mais profundo sofrimento. Tu nunca vais saber o que passei, assim como eu nunca vou saber o que sentiste ou pensas-te.

Foi difícil, muito difícil...

Passaram-se semanas com os olhos vermelhos de pranto, meses em que a tua imagem não desaparecia da minha mente, anos a pensar numa possível reconciliação. Como pude ser tão inocente e sonhadora? Não existem milagres, nem esperança infinita. Simplesmente não existem.

Julgava já não conseguir desligar-me, julgava que ia ficar parada no tempo, a ver os teus olhos brilharem e o teu sorriso doce. Mas não, afinal já consigo viver sem ti. Desiludiste-me tanto com a tua frieza que finalmente o teu numero desapareceu do meu telemóvel e as fotos espalhadas por várias pastas saíram do meu computador. Todas as lembranças foram para o baú, fechado a sete chaves.

E agora as únicas coisas que me atormentam são os sonhos estranhos que me inquietam e não me deixam descansar. A tua presença nos meus sonhos já não me deixam feliz, fazem com que acorde de mau humor, ríspida e sem brilho.

E, apesar disto tudo, sinto-me tranquila e pronta para seguir em frente, mas se algum dia te cruzares no meu caminho, vou simplesmente acenar-te, sorrir e continuar a andar, sem olhar para trás.

 

publicado por hate_life às 19:02
sinto-me:
Som: Augustana - Boston

01
Mai 11



De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez o drama.

De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente

Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.

Vinícius de Morais

publicado por hate_life às 23:24
Som: Norah Jones - Sunrise

02
Set 10

 

Não sei o que me fizeste, que feitiço me lanças-te, mas cada vez que te recordo sofro. Em silêncio, mas sofro... Apetece-me dizer-te mil coisas, apetece-me ver-te e sorrir-te. Nem precisavas de dizer nada, abraçavas-me simplesmente.

publicado por hate_life às 01:56
Som: Foo Fighters - Dear Lover

08
Jun 10

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Com um copo de vinho na mão e cigarro, acabado de acender, na noutra, dirijo-me para a janela, onde sou surpreendia pelo cheiro de terra molhada e um Tejo, que em noites quentes é calmo e sedutor, escondido por um serrado nevoeiro. Não era bem este o quadro que estava a imaginar, confesso, mas as noites húmidas sempre me fascinaram mais.

Só me apetece fechar os olhos e sentir esta aragem fresca, com a cabeça cheia de nada.

És a ultima coisa em que quero pensar… E de repente o cheio a chuva desaparece e o teu aroma imunda todo o espaço em meu redor. Cerro os olhos com mais força, és a última coisa em que quero pensar… E sinto-te a chegar perto de mim e a abraçar-me com força. Abro os olhos rapidamente, com vontade que o sonho termine.

Já te disse, és a ultima coisa em que quero pensar… E no instante seguinte, vejo-te nitidamente, rodas-me, como se de uma boneca se tratasse e ficas bem à minha frente, ao meu alcance. Passas a ponta dos dedos nos meus olhos, a querer cerra-los de novo e beijas-me com tanta vontade, que fico sem ar. Mostras-me o caminho até ao sofá mais próximo, deitas-me e fazes amor comigo, como da primeira vez, sem pressa e sem expectativas, apenas com amor e inocência. Sinto-me cada vez mais embriagada pelo teu cheiro e mais fascinada com a tua presença. Vês o meu sorriso rasgado, sorris de volta e sussurras-me ao ouvido “Vim para ficar!”.


20
Mai 10

Já sentia falta destas noites quentes e pachorrentas em que ficamos a conversar noite dentro, sobre e tudo e sobre nada... Palavras soltas acompanhadas por cigarros sucessivos e olhares furtivos. Porque raio temos de complicar tudo, se no fundo, tudo se resume a "nadas"?

Adoro a forma como disfarço o que vai na minha mente, e gosto muito mais da forma como finges que não percebes. Parece tudo inocente e natural, e será.. Um dia, quem sabe!

publicado por hate_life às 03:35
Som: Queens Of The Stone Age - No One Knows

24
Mar 10

 

 

Há dias em que sinto especialmente frágil. Sozinha no meio de uma multidão.

Apetecia-me ser pequenina, correr para o colo quente da minha mãe e ficar caladinha, quietinha só a sentir o calor e o cheiro dela. E depois, quando terminasse este meu súbito ataque de "pequenez", dizer-lhe baixinho que a adoro, tão baixo que fosse impossível de ouvir, porque afinal a minha horrível frieza não me deixa demonstrar tudo o que pretendo.

publicado por hate_life às 23:30
sinto-me:
Som: Alice Russell - Crazy

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